Sobre o tempo…


Tempo é uma oportunidade igual para todos. Todos os seres humanos têm exatamente a mesma quantidade de horas e minutos todos os dias. Os ricos não conseguem comprar mais horas. Cientistas não conseguem inventar novos minutos. E você não pode guardar tempo para utilizá-lo um outro dia. Mesmo assim, o tempo é extremamente justo e generoso. Não importa quanto tempo se perdeu no passado, ainda temos um amanhã inteiro. O sucesso depende de usarmos com sabedoria — planejando e estabelecendo prioridades. O fato é que o tempo vale mais que dinheiro e ao se matar o tempo, estamos matando nossas chances de sucesso.

Denis Waitley
The Joy of Working

O que é ser um bom pai hoje?


“Esse foi um negócio de pai para filho.” Frase muitas vezes proferida por quem quer expressar que alguém ajudou outra pessoa de forma tão evidente, tão forte e diferenciada que só um pai faria pelo próprio filho. Me peguei pensando sobre o que descreveria uma relação de amor de um filho para com seu pai de forma tão amorosa e cuidadosa quanto.

O que um filho poderia dar como um grande e inesquecível presente para o pai no dia em que desejar comemorar o seu bem-sucedido (será que isso existe?) papel de pai? Ah! Está aí a resposta: o maior presente que um filho pode dar ao seu pai é mostrar que ele, o pai, foi bem-sucedido como pai. Se isso (o tal pai bem-sucedido no papel de pai) existe mesmo, quais seriam as evidências?

Pai bem-sucedido é aquele que conseguiu – com todos os percalços e dificuldades, alegrias e preocupações, acertos e erros – criar um filho que foi para a vida viver e aprender.

Pai bem-sucedido é aquele cujo filho por ele criado tem algo para lhe ensinar. Sim, é isso mesmo o que estou dizendo: pai bem-sucedido é o que tem um filho com o qual pode aprender. Que não permanece a vida toda como o senhor da verdade para um filho obediente, acovardado diante dos desafios da vida e impotente. Dependente de um Pai Todo-Poderoso que não é aquele que está no céu, mas um Rei Leão que não deixa suas crias crescerem.

Não pense você, pai, que seu papel hoje na pós-modernidade é fazer de conta que sabe tudo e que nunca erra para seus filhos “não perderem o respeito”. Isso era no seu tempo de ser filho. Hoje, no seu tempo de ser pai, o ser pai mudou de conceito, exatamente porque os tempos mudaram.

O que tem valor e constrói hoje não é mais o mesmo tipo de atitude que tinham nossos pais e que, no contexto de sua época, estava correto. Num mundo padronizado, pai bom era pai que fazia cumprir as regras e reproduzir o padrão. Sem culpados. Cada época produz seus ideais de comportamento.

Estamos numa época em que o que se pede das relações com os pais é outra coisa. Não mais que seja o dono da verdade, que será contestada e desmascarada na próxima esquina por alguém que também tem o poder de saber. Aliás, papai de hoje, não tenha medo de não saber, pois o que você não souber o seu filho pode descobrir, inventar, criar. E será dele o mérito e a segurança adquiridos. Que melhor presente pode ser, nas palavras do psicanalista francês Jacques Lacan, para definir o amor: “Dar o que não se tem”?
Para Lacan, amar é dar o que não se tem. É oferecer ao outro sua falta, sua falha. E a falha, meu querido, é o terreno que – por estar vazio – pode receber as sementes novas que germinarão e produzirão as novas árvores e os novos frutos de uma outra vida que é a dos nossos filhos. O entulho do “eu sei tudo” impede as novas brotações.

Cena de filme ilustradora de pais (mães incluídas, é claro) que hoje são bons pais, quer dizer, bons parceiros de vida: a filha, aproveitando-se da ausência anunciada dos pais, resolve usar o chalé de inverno para hospedar três clientes para um curso intensivo de coaching. Um contratempo na viagem dos pais os traz de volta. Ao entrarem em casa e perceberem a “armação”, começam a fazer de conta diante dos clientes e do chefe da filha que são dois outros clientes marcados para o curso.

A partir daí, todo tipo de situações cômicas é vivida pelos três cúmplices. Sim, porque os pais se tornaram cúmplices da manobra não ortodoxa da filha para crescer na carreira, e, ao invés de censurá-la por ter se apossado da casa, assumem a posição de companheiros de luta e avalizam a escolha da filha, construindo com ela uma solução inusitada.

Pais que podem aprender com os filhos, que podem viajar em suas histórias como felizes coadjuvantes e não os donos da bola, são os pais bem-sucedidos.

Esse artigo foi escrito (e muito bem!) pela Psicanalista Luciene Godoy para o Divã do Popular

Sabe do que você precisa? De um refúgio!


Imagem“Se você está seguindo o rumo errado, lembre-se de que Deus encheu a estrada de retornos” – H. Jackson Brown

A quem você recorre quando acabou de ser despedido? Ou quando seu casamento está se deteriorando? Ou se você perdeu o controle e agrediu seus filhos e agora se sente envergonhado e apavorado? Ou quando se acha a beira de um esgotamento nervoso e precisa de cuidados psiquiátricos?

Sabe do que você precisa? De um refúgio!

Quando Davi reconheceu que sua vida estava sendo consumida pela tristeza e tudo estava sombrio para ele, recorreu, em primeiro lugar, a Deus, com uma confissão franca do seu estado.
“Compadece-te de mim, Senhor, porque me sinto atribulado, de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo” (Salmo 31.9).

Charles Swindoll observa que nessa ocasião Davi já não tinha mais onde se apoiar e precisava de um abrigo (exatamente como nós, cada vez que a esperança de que o amanhã melhore fica mais ténue). E podemos ver isso logo no primeiro verso, quando ele declarou, com fé: “Em ti, Senhor, me refugio”.

Refugiar-se em Deus é uma experiência de grande impacto para qualquer pessoa. É lançar-se totalmente a seus pés. Morrer para a nossa própria sabedoria, abandonar-se em seus braços amorosos e, depois de uma confissão de nosso estado miserável, sentir as forças voltarem para recomeçar.

E o maior benefício disso tudo é que você passa para um plano mais alto e entra numa nova experiência de intimidade com Deus. Sua vida é enriquecida pela sua graça e pontilhada de triunfos. Você passa a sentir-se totalmente protegido pelo seu abrigo.

Meu lema é ser útil, feliz e mudar alguns mundos por aí! Qual é o seu?

ARREBENTA!

@fottoni

Desligue o piloto automático


“A passagem do tempo deve ser uma conquista, e não uma perda” Lya Luft

Há períodos em nossa vida em que corremos tanto que perdemos o controle da direcção e accionamos o piloto automático. Fazemos tudo do jeito que conseguimos e não nos damos conta de quantas coisas deixamos de aproveitar.

Isso acontece quando temos muitos compromissos, mais prioridades e menos tempo. Com o acumulo de coisas para realizar, vamos fazendo tudo do jeito que dá. Quando percebemos, já se foram dias, semanas, meses e anos. Se você acha que ainda não passou por isso, faça uma pausa agora e tente lembrar o que comeu no almoço de anteontem, o que fez no último final semana, sobre o que conversou no café da manhã com seus filhos. Provavelmente, você não lembrará, sabe por quê? Porque são justamente esses pequenos, mas tão importantes acontecimentos, que passam despercebidos quando estamos no piloto automático.

Você pode não esquecer de cuidar dos filhos, almoçar, vender, atender clientes e realizar as demais tarefas, mas, aos poucos, na ânsia de fazer tudo o que precisa ser feito, vai desenvolvendo suas acções automaticamente. E, com isso, deixa de aproveitar todas as coisas boas do seu dia-a-dia. Você perde a oportunidade de conhecer melhor os seus clientes, de conversar um pouco mais com os colegas, contemplar o sorriso dos filhos, curtir a beleza do trajecto que você faz da casa para o trabalho.

E, se você parar para pensar, vai se dar conta de que são todas essas pequenas coisas que fazem com que seus dias, semanas e meses, sejam melhores. Então, tente se organizar, estabelecer prioridades e não assumir mais responsabilidades do que realmente pode. Ao planejar o dia, a semana, o mês e o ano, lembre-se de deixar espaço para aproveitar todos os momentos. Você pode fazer isso já, só depende de você desligar o piloto automático e assumir a direcção de sua vida.

Meu lema é ser útil, feliz e mudar alguns mundos por aí! Qual é o seu?

ARREBENTA!

@fottoni

Pausas na música da nossa vida


“O céu está cinzento. Sim, mas você não vê no céu uma tira azul?” – Scotch Shoemaker

Alguém disse certa vez: “na pausa não há música!”

Mas a pausa ajuda a fazer a música. Às vezes, a música da nossa vida é interrompida por “pausas” e, equivocadamente, pensamos que a melodia terminou.

Como diz no livro Mananciais do Deserto (Ed. Betânia), às vezes, Deus nos envia um tempo de parada, muda nossos planos e faz uma pausa repentina na música da nossa vida.

Mas como é que o maestro lê a pausa? Ele continua marcar o compasso com a mesma precisão e toma a nota seguinte com firmeza, como se não tivesse havido interrupção alguma. Deus tem o seu plano ao escrever a música de nossas vidas. A nossa parte deve ser aprender a melodia e não desanimar nas “pausas”. Elas não estão ali para serem passadas por alto ou serem omitidas nem para atrapalhar a melodia ou alterar o som. Se olharmos para cima, Deus marcará o compasso para nós!

A pausa ajuda a fazer a música.

ARREBENTA!

Meu lema é: Ser útil, feliz e mudar alguns mundos por aí! Qual é o seu?

@fottoni

Infinitamente Desejável


“Mude o foco, coloque a sua atenção no amor do Pai. Assim, você enxergará muito mais longe…”

Gostava de compartilhar com vocês a mensagem proferida por George Müller (1805-1898) no seu 90º aniversário. Esse senhor que com essa barba e esse cabelo faria o maio sucesso nos dias actuais!

“Converti-me em Novembro de 1825, mas só cheguei a uma plena entrega do coração, quatro anos mais tarde, em Julho de 1829. O amor ao dinheiro desapareceu; perdi amor a lugares, a posições, aos prazeres e compromissos com o mundo.

Deus, e somente Deus, tornou-se a minha porção. Nele encontrei tudo; não precisei de nada mais. E, pela graça de Deus, isso permaneceu e me tornou feliz, extremamente feliz, e me levou a me ocupar unicamente das coisas de Deus.

Eu lhes pergunto com muito amor, meus queridos irmãos: vocês já entregaram plenamente seu coração a Deus, ou há ainda alguma coisa com que estão ocupados sem consideração para com Deus? Antes eu lia um pouco das Escrituras, mas preferia outros livros. Depois daquela ocasião, a revelação que ele me fez de si mesmo tornou-se inefavelmente maravilhosa para mim, e posso dizer de coração que Deus é um Ser infinitamente desejável. Não fiquem satisfeitos enquanto não puderem dizer do íntimo de sua alma, que Deus é um Ser infinitamente desejável!”

Durante mais de sessenta anos de ministério, Müller iniciou 117 escolas que educaram mais de 120 mil jovens e órfãos; distribuiu 275 mil Bíblias completas em diferentes idiomas além de grande quantidade de porções menores; sustentou 189 missionários em outros países; sua equipe de assistentes contava com 112 pessoas. Em Bristol, na Inglaterra, administrou cinco prédios construídos por ele mesmo, com nada menos que 2000 órfãos sendo alimentados, vestidos, educados e treinados para o trabalho. Ao todo, pelo menos 10 mil órfãos passaram pelos orfanatos durante sua vida.

Formação Profissional


Formação Profissional

Formar é um trabalho de profissional que apesar de acarretar consigo uma certa parte de intuição e arte, também exige, para ser eficaz, competências específicas. Formar é uma profissão que assenta em actos técnicos, compreendendo uma parte que pode ser descrita, operacionalizada e aprendida.
Cada vez mais, a variedade e complexidade das situações de formação exigem do formador uma grande capacidade de adaptação, dando-lhe a possibilidade de explorar as suas especificidades através de decisões adaptadas. O formador, quer exerça essa actividade a tempo inteiro ou não, desempenha e regula o processo de aprendizagem de uma forma sistemática, visando proporcionar com esse exercício a transmissão e aquisição de competências profissionais que confiram, aos indivíduos em formação, o domínio de um conjunto de técnicas fundamentais, que lhes permitam o seu sucesso num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, num mundo tecnológico em permanente mudança.

O formador é um facilitador da aprendizagem. O formador é um animador, isto é, um líder e gestor da dinâmica formativa. O formador deverá centrar-se nas pessoas e no grupo; criar uma dinâmica de grupo; provocar a discussão, o trabalho individual e o trabalho em equipa; criar um clima de confiança sem competitividade; utilizar a pedagogia do sucesso e não as práticas do erro; valorizar as experiências e os desempenhos; ter conhecimento e poder agir nas diversas fases do sistema de formação.

Competências do Formador

A) Ser capaz de compreender e integrar-se no contexto técnico em que exerce a sua actividade:

  • a população activa;
  • o mundo do trabalho e os sistemas de formação;
  • o domínio técnico-científico e/ou tecnológico, objecto da formação;
  • a família profissional da formação;
  • o papel e o perfil do formador;
  • os processos de aprendizagem e a relação pedagógica;
  • a concepção e a organização de cursos ou acções de formação.

B) Ser capaz de adaptar-se a diferentes contextos organizacionais e a diferentes grupos de formandos.

C) Ser capaz de planificar e preparar as sessões de formação, nomeadamente:

  • analisar o contexto específico das sessões – objectivos, programa, perfis de entrada e de saída, condições de realização da acção;
  • conceber planos das sessões;
  • definir objectivos pedagógicos;
  • analisar e estruturar os conteúdos de formação;
  • seleccionar os métodos e as técnicas pedagógicas;
  • conceber e elaborar os suportes didácticos;
  • conceber e elaborar os instrumentos de avaliação.

D) Ser capaz de conduzir/mediar o processo de formação/aprendizagem no grupo de formação, nomeadamente:

  • desenvolver os conteúdos de formação;
  • desenvolver a comunicação no grupo;
  • motivar os formandos;
  • gerir os fenómenos de relacionamento interpessoal e de dinâmica de grupo;
  • gerir os tempos e os meios materiais necessários à formação;
  • utilizar os métodos, as técnicas, os instrumentos e os auxiliares didácticos.

E) Ser capaz de gerir a progressão na aprendizagem dos formandos, nomeadamente:

  • efectuar a avaliação formativa informal;
  • efectuar a avaliação formativa formal;
  • efectuar a avaliação final ou sumativa.

F) Ser capaz de avaliar a eficiência da formação, nomeadamente:

  • avaliar o processo formativo;
  • participar na avaliação do impacto da formação nos desempenhos profissionais.

Ficou interessado? Fale comigo!

Sucesso e #ARREBETA

@fottoni

Meu Mestre


Enquanto os inimigos, opositores e supostos opressores, festejam, acham que venceram, que me vergaram e que estou “morto”…
Eu acumulo conhecimento, força, revejo conceitos, perdoo, amadureço, cresço em comunhão e acima de tudo descanso Nele!
Meu mestre? Meu mestre é Jesus meu chapa! Que depois de 3 dias de festa dos demónios e de suas mulas, RESSUCITOU, “quebrou-tudo” e acabou com a palhaçada!

#GoUp e #ARREBENTA

@fottoni

“O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo…


Para pessoas inteligentes

Rubem Alves – colunista da Folha de S. Paulo

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo.

Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei: “O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo” tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se integrasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras ideias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre.”.
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.
Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.

Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro “O Homem Moral e a Sociedade Imoral” observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis” por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.
Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.
Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.

O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

 

 

 
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!
Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno”, à semelhança do que aconteceu na China.
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
“Caminhando e cantando e seguindo a canção.”.
Isso é tarefa para os artistas e educadores.

O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Rubem Alves