Quem é o seu Pai?


O aspecto mais fundamental de Deus não é uma qualidade abstrata, mas o fato de ele ser Pai. Ele não é apenas o Criador ou Soberano, todos os seus caminhos são formosamente paternais. Nas Escrituras repetidas vezes os termos “Deus” e “Pai” são equiparados: no Êxodo, o Senhor chama Israel de “meu primogênito” (Êx 4.22); em Dt 1.31 ele conduz o povo “como um homem conduz o próprio filho”; Dt 8.5 os corrige “como um homem corrige o filho”.

E ele os chama dizendo:

“Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem” (Sl 103.13)

Isaías ora “Mas tu és nosso Pai […] Ó Senhor, tu és nosso Pai” (Is 63.16 e 64.8). Uma palavra bastante popular no Antigo Testamento era “Abias” que significa, o Senhor é meu Pai. Jesus nos direciona para o Pai diversas vezes e enfaticamente na oração do Pai nosso. O livro de Hebreus aconselha: “Deus vos trata como filhos. Pois qual é o filho a quem o pai não disciplina?” (Hb 12.7)

Não é que esse Deus “assume o papel” de Pai, como um emprego, apenas para retornar à tarde como o bom e velho “Deus”. Não é como se Ele tivesse uma cereja paternal no topo do bolo. Ele é Pai. O tempo todo. Assim, tudo que ele faz, ele o faz como Pai. Trata-se da sua identidade e não apenas uma das suas características! Ele cria como Pai e ele governa como Pai.

Calvino fala em suas Institutas:

É preciso considerar diligentemente na própria ordem das coisas criadas o amor paternal de Deus […] assumindo o cuidado de um chefe de família provido e zeloso, mostrou Deus sua mirífica (admirável, maravilhosa) bondade para conosco… Por fim, para que se conclua definitivamente: sempre que chamarmos a Deus o Criador do céu e da terra, ao mesmo tempo nos venha à mente que […] realmente somos seus filhos, aos quais ele tomou sob seu patrocínio e proteção para prover-lhes sustento e instrução… De modo que, atraídos pelo dulçor (doçura) tão ingente (enorme, desmedido, retumbante) de sua bondade e beneficência, diligenciemos por amá-lo e servi-lo de todo o coração.

Se conseguirmos mudar a nossa visão quanto à Deus o conhecendo e entendendo que Deus governa a criação como Pai dócil e amoroso. Só assim seremos levados a deleitar-nos em sua providência.

Aconteceu uma coisa muito bacana com meu filho David na escola, mas vou contar isso lá no Vida Boa de Pai!!

Seria possível reconhecer que o governo de algum “policial celestial” seja justo; no entanto, jamais poderíamos nos deleitar em seu regime como podemos deleitar-nos no gentil cuidado de um pai. E isso é lindo, pois somos os filhos amados desse Pai de amor!!

Deus é esse Pai que dá vida, que gera filhos! João escreve que “Deus é amor” e isso traz para nós clareza sobre o Pai.

“O amor de Deus para conosco manifestou-se no fato de Deus ter enviado seu Filho unigênito”. (I João 4.9)

Então esse Deus que é amor é o Pai que envia o Filho. Ser o Pai, portanto, significa amar, dar vida, gerar o Filho. Por toda eternidade, esse Deus estava amando, dando vida e deleitando-se no Filho.

C.S. Lewis fala que existe uma dança entre a Trindade e é nessa relação de cumplicidade, comunhão, sintonia é que somos chamados para viver, deleitar e servir a vida toda.

Quando o Espírito desceu sobre o Filho no batismo, Jesus ouviu o Pai declarar do céu: “Este é o meu Filho amado, de quem me agrado”. Mas agora que o mesmo Espírito de filiação desce sobre mim, as mesmas palavras aplicam-se a mim: em Cristo, meu sumo sacerdote, sou filho adotado, amado, ungido pelo Espírito. Como Jesus diz ao Pai em João 17.23 “Tu os amaste, assim como me amaste”. Assim, quando o Filho me leva diante do Pai, com seu Espírito em mim, posso declarar com ousadia: “Aba”, porque agora partilho com liberdade de sua comunhão: o Altíssimo, meu Pai; o Filho, meu irmão maior; o Espírito, não mais apenas o Consolador de Jesus, mas também o meu!!

E assim fica mais fácil entender o que Paulo escreve para os Gálatas 4.6: E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Conhecer Deus como nosso Pai não só embeleza de maneira maravilhosa nossa visão dele; isso nos dá o mais profundo conforto e alegria. Essa é uma honra estonteante! Ter algum rei rico como pai seria ótimo; mas ser filho amado do Imperador do universo está além das palavras!

“A todos que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes a prerrogativa (direito especial) de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1.12)

Isso não é uma brincadeira de bem me quer, mal me quer, isso é desfrutar do seu amor para sempre!!

James I. Packer diz:

Se quiser julgar até que ponto uma pessoa entendeu o que é cristianismo, descubra que valor ela dá ao fato de ser filha de Deus e ter a Deus por Pai. Se este pensamento não dominar e controlar suas orações, adoração e toda a sua atitude perante a vida, isso demonstra não ter entendido bem o cristianismo.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,” (1 Pedro 1:3)

Fonte principal: Bíblia Sagrada + ‘Deleitando-se na Trindade’ de Michael Reeves da Editora Monergismo

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